As tuas palavras aguçaram esta paixão que estava praticamente adormecida...
Desde há pouco mais de um mês que os meus dias perderam a cor, que deixei de ser eu porque já não sou eu quando não estou com ele, que não vivo, que sobrevivo numa simples contagem decrescente para o fim dos meus dias...
Fecho os olhos, sinto um enorme aperto no peito... Tenho saudades de olhar para ele, de o ver meter a colher do café à boca depois de o mexer, saudades das improvisadas discussões enquanto procurávamos o comando da televisão numa montanha de almofadas feita por nós, de o ver estacionar o meu carro e dizer-me que o fazia melhor que eu, de o ouvir falar de trabalhos de Siza Vieira com um entusiasmo indescritível, saudades de lhe ajeitar o cabelo, de passar a ponta dos meus dedos pelos seus lábios e dizer-lhe que eram perfeitos, de lhe fazer companhia mesmo que distante nas suas noites de projecto, de ouvi-lo dizer que gostava de mim, de lhe dizer que gostava dele, saudades dos abraços que me despiam de todos os medos, da destreza com que me desmanchava os caracóis, das suas palavras quando o meu avô estava a morrer, saudades das suas mãos grandes e delicadas em cada centímetro de mim, de lhe dizer que para ele tinha todo o tempo do Mundo... Enfim, saudades dele. Saudade de alguém que nunca me disse "adeus"...
Escrito em meados de Setembro (via e-mail).
Desde há pouco mais de um mês que os meus dias perderam a cor, que deixei de ser eu porque já não sou eu quando não estou com ele, que não vivo, que sobrevivo numa simples contagem decrescente para o fim dos meus dias...
Fecho os olhos, sinto um enorme aperto no peito... Tenho saudades de olhar para ele, de o ver meter a colher do café à boca depois de o mexer, saudades das improvisadas discussões enquanto procurávamos o comando da televisão numa montanha de almofadas feita por nós, de o ver estacionar o meu carro e dizer-me que o fazia melhor que eu, de o ouvir falar de trabalhos de Siza Vieira com um entusiasmo indescritível, saudades de lhe ajeitar o cabelo, de passar a ponta dos meus dedos pelos seus lábios e dizer-lhe que eram perfeitos, de lhe fazer companhia mesmo que distante nas suas noites de projecto, de ouvi-lo dizer que gostava de mim, de lhe dizer que gostava dele, saudades dos abraços que me despiam de todos os medos, da destreza com que me desmanchava os caracóis, das suas palavras quando o meu avô estava a morrer, saudades das suas mãos grandes e delicadas em cada centímetro de mim, de lhe dizer que para ele tinha todo o tempo do Mundo... Enfim, saudades dele. Saudade de alguém que nunca me disse "adeus"...
Escrito em meados de Setembro (via e-mail).
6 comments:
Como me revejo nas palavras escritas, retenho esta parte...
"Saudade de alguém que nunca me disse "adeus"..."
Ingrato não é?
Chega a ser cruel...
Diria mesmo...um egoísmo doentio...
Bjokas
olá Rita, desculpa mas este comment é motivado não tanto pelo texto mas sim devido à curiosidade em saber qual a música que tens a tocar aqui no blog. tenho quase a certeza que é de um filme, mas não me lembro bem de qual...
obrigado
...e já agora, bom texto. aliás, quer este post quer o anterior são textos bastante bons. força aí, eu sei o que isso é...
... Não tenho coragem para dizer nada... Desculpa não ter estado presente...
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